Filarmónica Pampilhosense |
O desenvolvimento da indústria na Pampilhosa, que teve o seu início no final do séc. XIX, com o entroncamento da Linha da Beira Alta com a Linha do Norte, fez com que o Associativismo e a Música passassem a integrar o dia-a-dia dos trabalhadores de então. Assim, surgiu em 1894 uma das primeiras bandas de que há registo, a banda dos Teixeiras, organizada por João Teixeira Lopes e Júlio Teixeira Lopes, empresário da Fábrica Mourão, Teixeira Lopes e C.ia. Em 1913 foi fundada a “Tuna Recreativa da Pampilhosa” por Joaquim da Cruz, empresário da Fábrica de Serração Thomaz da Cruz. A bandeira, comprada a expensas do Povo, foi pintada pelo pintor conimbricense António das Neves Eliseu. Entretanto, os instrumentos da Fábrica dos Teixeiras foram vendidos a um grupo de Pampilhosenses que, em 1920, decidiram organizar uma filarmónica. Foi então assinada a escritura da sociedade no Domingo, dia 9 de Maio daquele ano, pelo seu primeiro Presidente, Prof. Guilherme Ferreira da Silva, surgindo a “Filarmónica Pampilhozense”, com sede na “escola oficial de Pampilhoza do Botão”. A sua primeira bandeira foi a da Tuna que, quando esta acabou, foi repintada com o nome da Filarmónica e respectiva data de fundação.
Ricardo Campos foi o seu primeiro regente, que vinha de Coimbra de comboio para os ensaios regulares, jantando numa das Hospedarias da Estação. O seu ordenado era de três escudos por ensaio.
Em 1924 a regência passa a ser da responsabilidade de Manuel Maria Simões Pleno, de Santana, Figueira da Foz, passando, dois anos depois, a batuta ao seu filho, Joaquim Maria Simões Pleno, que se mantém no comando durante 64 anos.
Nos seus primeiros 32 anos de vida, a Filarmónica Pampilhosense conheceu cinco sedes provisórias, até que em 1952 é finalmente construída e inaugurada a sua primeira Sede oficial. Esta é derrubada findos 35 anos de serviço, dando lugar à actual Sede, edificada com um grande esforço dos Pampilhosenses, Executantes e da Direcção de então, liderada pelo Presidente Joaquim Tomé.
Os seus estatutos são renovados em 1953, sofrendo uma nova renovação em 2006.
Em 1990, Joaquim Pleno é forçado, devido à sua idade, a abandonar a regência. A direcção artística passa então a ser da responsabilidade de seu filho, Manuel Lindo Pleno. No ano seguinte, por ocasião do 71.º aniversário da FP é prestada a justa homenagem ao Maestro Joaquim Pleno, quando lhe é concedida a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Mealhada.
A 12 de Janeiro de 1996 a FP filia-se, com o n.º 1552, na Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (nome oficial desde 2004), tendo sido declarada como Colectividade de Utilidade Pública em 8 de Julho de 1998. Integra também a Federação das Associações Musicais do Distrito de Aveiro (FAMDA), renascida da Associação de Bandas de Música Civis do Distrito de Aveiro, à qual a FP estava associada desde 29 de Abril de 1993.
A Associação conta neste momento com cerca de 600 sócios e a banda é constituída por meia centena de elementos, oriundos na sua maioria da freguesia da Pampilhosa, mas também das freguesias de Vacariça, Botão, Luso e Murtede.
A Banda tem sido solicitada para diversos pontos do país, incluindo Cortegaça, Guarda, Arganil, Braga, Grândola e Galveias. Em Junho de 2002 deslocou-se a Angra do Heroísmo (Ilha Terceira - Açores), para participação nas Sanjoaninas, importante manifestação cultural do arquipélago.
A sua internacionalização foi efectuada em Agosto de 2003, com a deslocação a Courcoury, França, vila com a qual a Pampilhosa está geminada.
Em Agosto de 2005 efectuou uma viagem à Bélgica, para participação do 222.º aniversário da Koninklijke Harmonie (Real Filarmónica) “Concordia et Docilitas”, de Herdersem (Aalst), recebendo-a na Pampilhosa em Abril do ano seguinte.
Em Janeiro de 2006 a FP sobe ao palco do Cine-teatro Messias (Mealhada), juntamente com a Orquestra Clássica do Centro (Coimbra), apresentando, em concerto de Ano Novo, a “Suite Portuguesa n.º1” de Ruy Coelho, dirigida pelo Maestro Virgílio Caseiro. A direcção do último andamento coube ao Maestro Manuel Pleno.
Por esta altura, surge um novo projecto no âmbito da música jazz: a OLPA big band (Orquestra Ligeira Pampilhosense), dirigida por Daniel Vieira. A OLPA é constituída quase na totalidade por elementos da Banda.
A 22 de Agosto do mesmo ano, a Associação vive uns dos dias mais negros da sua história, aquando da morte, por doença prolongada, do seu director artístico e um dos filhos da terra, o Maestro Manuel Lindo Pleno. Homenageado pela Instituição a 29 de Setembro, recebeu, a título póstumo, a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Mealhada no dia 23 de Dezembro, no decorrer de um concerto conjunto no Cine-teatro Messias, com a FP e o Grupo Coral Magister (Mealhada).
Daniel Vieira, músico na FP desde 1991, é escolhido pela Direcção e pelos elementos da banda como o novo director artístico do grupo, iniciando o seu trabalho a 27 de Outubro de 2006.
Recolha de Daniel Vieira 1997
Actualização 2007
Professor Guilherme Ferreira da Silva |
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1.º Presidente da Direcção da FP |
O Prof. Guilherme Ferreira da Silva foi umas das figuras cimeiras do panorama cultural que, tendo nascido ainda no séc. XIX, teve uma acção de tal modo marcante que se prolonga até aos nossos dias.
Nasceu no dia 5 de Junho de 1890, filho de António Ferreira Inácio, barbeiro sangrador, e de Maria José Silva, “descendente de uma das mais ilustres famílias pampilhosenses”.
A família aspirava a carreira de médico para o jovem Guilherme, mas, por vontade própria, cursou o Magistério Primário em Coimbra.
Dotado de grande inteligência, frequentava tertúlias no restaurante da Estação de Caminho-de-Ferro da Pampilhosa com grandes industriais da altura. Segundo informação dos seus descendentes, deslocava-se frequentemente a Lisboa, mais precisamente à Livraria Portugal, onde se juntavam os grandes intelectuais da época, salientando-se Aquilino Ribeiro, de quem era amigo. Era um republicano convicto. Destas deslocações resultou certamente o seu vínculo a diversos jornais com que colaborava, tais como Diário da Beira, República, O Século ou Diário de Coimbra.
Casa-se com Maria do Céu Ferreira Fonseca, professora primária, natural de Celorico da Beira, matrimónio do qual nascem duas filhas, Edite Ferreira da Silva e Maria José Ferreira da Silva.
De um profissionalismo invulgar, aproveitava a sua acção enquanto professor para alargar consideravelmente os horizontes das crianças pampilhosenses.
Deve-se à sua acção de dinamizador cultural a educação no gosto pelas artes de toda uma geração de pampilhosenses.
Funcionava em sua casa, na rua com o seu nome, ao n.º 24, uma extensão da Conservatória do Registo Civil.
Deve-se a ele a “importação” de um costume da época e que perdurou até aos anos de 1980, o “Enterro do Bacalhau”, que mobilizada toda a alta pampilhosense no cortejo de Sábado de Aleluia.
Escrevia, em parceria com o Maestro Joaquim Pleno que musicava as obras, entremezes (revistas à portuguesa) e pequenas peças de teatro que encenava envolvendo a população autóctone.
Foi o primeiro Presidente da Direcção da Filarmónica Pampilhosense, na sua fundação em 1920, tornando-se mais tarde elemento efectivo da banda, como flautista. A primeira direcção era constituída por Guilherme Ferreira da Silva, presidente; Manuel dos Santos Carvalho, secretário; Fernando dos Santos, tesoureiro; Benjamim de Mello e Constantino Cristina, vogais. No entanto, na acta da primeira reunião foi aprovado um voto de louvor aos Senhores António Simões Miranda, Constantino Cristina e Fernando dos Santos, por ter sido da sua iniciativa a organização da filarmónica.
Faleceu em 1966. Partiu mas não morreu, pois só morre quem não deixa obra.
in separata do Boletim Informativo n.º 6 da Junta de Freguesia de Pampilhosa, 2008
Vila da Pampilhosa |
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(Breve resumo da sua história) |
Vila desde 1985, a Pampilhosa conta, no mínimo, com 885 anos de existência, já que 28 de Junho de 1117 é a primeira data documentalmente conhecida (antes da independência de Portugal), quando Gonçalo Randulfe doava a vila ao Mosteiro de Lorvão.
Nessa altura era a Pampilhosa (Pampiliosa, terra de pampilhos) um pequeno povoado rural localizado na zona alta da actual localidade, mais concretamente nos locais ainda hoje designados por Igreja Velha, Marco e Casal.
O desenvolvimento da baixa iniciou-se a partir de 1880, aquando da ligação da linha da Beira Alta à linha do Norte, já ali existente desde 1864, surgindo então nesse local (denominado na altura de Entre Silveiras) a estação, as gares e os depósitos de locomotivas. Alguns edifícios foram rapidamente construídos junto à estação, como por exemplo o Teatro, em 1906 (cine-teatro a partir de 1924), actualmente encerrado mas em vias de recuperação.
Faz parte do concelho de Mealhada e do distrito de Aveiro desde 31 de Dezembro de 1833. Anteriormente pertencera ao concelho e distrito de Coimbra. Está situada na parte mais a sul do distrito, confinando a Norte com a sede do concelho, a Sul com a freguesia de Botão (distrito de Coimbra), a Oeste com o concelho de Cantanhede (distrito de Coimbra) e a Leste com a serra do Buçaco e a vila de Luso, uma das mais ricas zonas turísticas.
O brasão e bandeira da Pampilhosa foram estreados a 14 de Julho de 1991, no decorrer das cerimónias de geminação entre Pampilhosa e Courcoury (França).
Pampilhosa, uma terra e um povo – GEDEPA
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Textos : Daniel Vieira
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